O objectivo deste trabalho é demonstrar através da imagem como a realidade virtual e as representações digitais estão já inerentes à nossa vida, ao nosso quotidiano. Desde a sua parte técnica à sua visão teórica, a imagem contém a maior força possível no mundo actual, contribuindo para que haja mais realidade, mais objectos produzidos, mais informação à nossa volta, tudo em maiores quantidades no espaço e no tempo, tornando assim o nosso espaço e nós próprios totalmente condicionados.
Até que ponto todas estas informações nos afectam interiormente? Estarão já no nosso subconsciente?
Estaremos assim tão habituados ao exagero?
As imagens não só aparecem, como encarnam a realidade e tornam-se reveladores do real. O sujeito, no meio deste meio, está fragmentado, sem identidade fixa permanente, pois tudo é maleável, a multiplicidade de identidades possíveis com as quais nos podemos identificar pelo período de tempo que quisermos é enorme.
Uma vez dispensada a noção do real pelas imagens, estas inventam uma determinada realidade, o que diante da multiplicação destas a noção de original perde-se, logo as imagens representam imagens, e não o real. Esta noção de hiperrealidade pode ser não uma evolução da democracia mas antes uma tirania vigilante. Mas como onde está aquilo que liberta está também o perigo que espreita, a “atitude digital” tem de se tornar mais séria, não esquecendo que o digital “vem” em cartões de memória.

fotografia digital

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The aim of this work is to demonstrate through image how virtual reality and digital representations are intrinsic to our lives, our quotidian. From its technical side to its theoretical vision, image contains the strongest of power possible in the current world, contributing for more reality, more objects produced, more information around us, all in bigger quantities in space and time, thus making us and our own space conditioned.
How far can these informations affect us within? Are they already in our subconscient ? are we so much used to exaggeration?
The images not only appear, as they encarnate the reality and become revealing of whats real. The subject, within its environment, its fragmented, without permanent identity, since everything is malleable, the possible identity variety in which we can identify ourselves by the period of time we choose, is gigantic.
Once the notion of whats real is rendered by the images, these invent one determined reality, which before its multiplication, the notion of originality is lost, thus the images represent images, and not whats real. This notion of hiperreality can become a vigilant tirany, contrary to an evolution of democracy. But, as where’s that which frees is, also danger sneaks, the digital attitude has to become more serious, not forgetting that whats digital ‘comes’ in memory sticks.

2009

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