Conversas são feitas inacabadas, temas lançados sem medo. No saber sem sentido que o abstracto permite.
Entre histórias de vida e percursos de um caminho solitário, artistas encontram-se e dão-se a conhecer. Difícil será dizer com a boca cheia o que se faz, pois isso é a cruz do que se é.
E o ser não é limitado, assim como a sua criação.
Há uma direcção, uma plataforma de actuação, mas nunca o descanso e o prazer do dever cumprido, do trabalho feito, sólido e guardado num qualquer frasco. Os frascos nesta fábrica não têm tampa e o mel escorre, o ar evapora e a força quebra o vidro.
Não adianta...
Conceptual, minimal, irracional, passa tudo por uma peneira de abstracção da vida dita real (talvez comum) e solta como poeira para os olhos de quem quer ver.
É interessante; plataformas diversas interligadas por correntes mundiais, ondas rápidas que vão e vêm cada uma no seu tempo. Escadas em espirais fazem parte da saída de emergência.
É uma antiga fábrica de vidro, abandonada, transformada e cultivada de cultura emergente. Escola de pessoas cruz-adas, tem as paredes altas para o contínuo ressoar dos vidros partidos, aqueles estilhaços esquecidos.
Mas há algo interessante a acontecer aqui - o vidro derrete, funde-se pela sua própria natureza dispersa que anseia uma celebração conjunta, inevitável e quente. Dispersa e cansada das feridas e pequenos cortes de outros cristais já antigos, renova-se pelo prazer translúcido da multiplicidade.
Colorida, abrangente e esquecida num outro momento, aqui, acontece.

Este trabalho é a reflexão sobre a minha passagem pela República Checa, essencialmente pela MeetFactory.

Entre pintura, fotografia e performance, há uma tentativa de criação impossível de se concretizar numa só expressão artística. No estudio, na claridade da tela e na luz exterior a personagem questiona-se e actua sobre isso.
Cor, corpo, exposição.
Numa apresentação sobre tela, em estudio.

(a última imagem representa a totalidade da obra)

fotografia digital

***
Unfinished conversations are made, themes released without fear.
Meaningless in the know that abstract allows.
Between life stories and journeys of a lonely path, artists meet and make themselves known. Difficult is to say with a mouthful what we do, because that is the cross of what a person is.
And a being in not limited, as well as its creation. There is a direction, a platform for action, but never the rest of duty and pleasure of the work done, solid and stored in a bottle.
In this factory, bottles have no cap and the honey drips, air evaporates and the strengh breaks the glass.
Is inevitable.
Conceptual, minimal, irrational, everything passes through a sieve of abstraction of life said real (perhaps common), and released as dust into the eyes of those who want to see. It is interesting, diverse platforms interconnected by global currents, fast waves coming and going, each in its own time. Spiral staircases are part of the emergency exit. Is an old glass factory, abandoned, transformed and cultivated by emerging culture. Has high walls for the continuous clatter of broken glass, those forgotten splinters. But there is something interesting happening here - glass melts, merges by its very disperse nature that craves for a joint celebration, inevitable and warm. Disperse and tired of wounds and small cuts of other old crystals, renews itself for the translucent pleasure of multiplicity.
Colorful, broad and forgotten in any other moment, here, it happens.

This work is a reflection about my passage through Czech Republic, essencially through the Meetfactory. Between painting, photography and performance there is an attempt to create, impossible to achieve in a single artistic expression.
In the studio, in the light from the canvas and the light outside, the character questions himself and acts on it.
Color, body, exposure.
In a presentation on canvas, in studio.


2010

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