Uma ruína é necessariamente bela, apesar de essa beleza nos poder provocar apenas uma viagem romântica à experiência do sublime, mas pode também estar demasiadamente próxima do real e tornar-se num documento desastroso que traz respostas para inquietações bem actuais. Não é só um lugar físico mas sim uma série de ideias, sensações e sentimentos que se elaboram a partir do lugar. Qual o motivo de prazer na sua contemplação?
A atmosfera específica de quem se encontra numa ruína, a tentativa de conseguir recuperar uma época, a história, a unidade do sentido, o ausente, a lembrança, dão-nos a conhecer o inexistente. Esta experiência quase que nos permite re-significar o que se encontra sem sentido, ou melhor, re-significar o que se encontra sentido.
A melancolia surge como resultado do questionamento sobre o sujeito, a linguagem, o mundo e o lugar na sociedade contemporânea. Melancolia ou apenas nostalgia, solidão, tristeza ou amor, são tudo indícios de uma individualidade moderna que se auto-contempla e não pode mais acreditar na ilusão da sua própria imagem.
A dualidade sempre presente numa ruína desde a sua construção vertical ao estado natural e progressivo da horizontalidade, demonstra-nos simultaneamente a tensão entre a construção e a destruição, o natural e o artificial, o isolamento e a multidão, a cultura e a massificação e também a fragilidade e a impotência.
Acho importante despertar a atenção para o pensar e o fazer, bem como para o que acontece entre os dois, para a leveza e o peso e para a energia que oscila entre estes dois polos, determinando o nosso pensamento para a mesma energia oculta em toda a parte. Juntar coisas que nos são apercebidas de formas diferentes para formar um todo complexo e um estádio para uma nova percepção.
Lugar de meditação mas também de busca e expansão, as ruínas transitam entre o que fomos e o que somos/isto será e isto foi, tornando o tempo numa experiência concreta, através do espaço físico.

Porto, Portugal
fotografia digital e analógica

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A ruin it’s necessarily beautiful, despite the fact that the same beauty can simply formulate a romantic voyage to the sublime, but it can also be too close to what’s real and become a disastrous document which brings very present uncertainties. It’s not only a physical place but a series of ideas, sensations and feelings that develop themselves through the place. What is the motive of pleasure in its contemplation?
The specific atmosphere of the one who finds itself in a ruin, the attempt of the ability to recuperate a period in time, a history, a unity sense, the absent, the remembrance, allow us to meet the inexistent.
This experience almost lets us give a new meaning to what has no feeling, in other words, give a new meaning to what is already felt. The melancholy surges as a result of questioning about the subject, the language, the world and the place in contemporary society. Melancholy or simply nostalgia, solitude, sadness or love, are all signs of a modern individuality that self-contemplates and can no longer believe in the illusion of its own image.
The duality always present in the ruin since its vertical construction to the natural and progressive state of its horizontality, demonstrates simultaneously the tension between the construction and destruction, the natural and the artificial, the isolate and the crowd, the culture and the masses, as fragility and powerlessness.
I believe it’s important to raise the attention to the reflection and action, as well as to what happens between the two, to the lightness and the weight, to the energy that oscillates between these two poles, determining our thought to the same occult energy all around. Gather things which are perceived by us in different shapes to originate a whole complex and a state to a new perception.
Place of meditation as well as of search and expansion, the ruins stir between what we were and what we are/this will be and this was, making time become a concrete experience, through the physical space.

2007-2010

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